segunda-feira, agosto 13, 2018

Sem título (Rafael Aguirra)

Já estive bem pior, no fundo de qualquer lugar, quando nada te encontra, nem você quer encontrar.
Já estive bem mais longe de mim, já joguei tudo pro ar, já vi as consequências tomarem conta das circunstâncias,
Já fui criança, já dancei conforme a dança, e quando você cansa, se esconde e espera tudo passar, e então nada te alcança.
O que é uma aliança? O que é um compromisso? São noções um tanto vagas pra alguém que vive omisso.
São tantos os precipícios, tantos caminhos, tantos sentidos, poucos indícios de que algum seja verdade.
Já estive com a mente, o coração e o corpo bem longe da realidade, atualizado acerca de todo tipo de meias verdades e completas mentiras.
Mas na sinceridade encontrei o ódio, e do ódio venho a necessidade do amor, venho como sede, venho pela dor.
E da dor de viver geram-se as cicatrizes, da tristeza de ser geram-se os primeiros passos.
Do convívio maduro com as divergências geram-se os primeiros laços, e do amor compartilhado os melhores abraços.
O isolamento emocional é como alguém que se alimenta das próprias lagrimas, o final é previsível, pra quem quer estar sozinho.
Como a sede que a água não mata, é a certeza de andar mesmo que esteja cansado, é a certeza do caminho.

quarta-feira, julho 25, 2018

Vem de longe (Augusto Delanói)


O melhor é se calar do que bradar
quando se está em meio ao caos

Presos a caráteres hipócritas que acreditam ser invulneráveis.

No mapa da mente obscura, verás apenas o mesmo lodo em que se afunda.
Quem sabe possa ser ouvido um dia se terminar a canção de gritaria em tua mente! Sem pudores onde deseja permanentemente algo que não tem.

Você acreditará, mesmo que não.
Você desejará sempre

Você sempre o culpará.

E das medidas urgentes se tem que relevar as dores em vão. Será mesmo tudo isso a parte de que tudo seria de outra forma? Não se sabe o quanto é interminável o infinito.
Será um possível buraco sem fundo, que vislumbrará no final uma luz onde poderá se jogar de braços estranhamente endurecidos de uma vida regressa. Se terminar assim não tem sentido o que está escrito.

Se for assim que seja da melhor maneira, pois palavras soltas ao vento podem dizer mais do que pensamentos sólidos.

Você acredita ou não em algo espetacular.
Mas apenas uma divindade será capaz de desfrutar daquilo que se apresenta no meio da fogueira.




sexta-feira, janeiro 26, 2018

Anestesia

Quando a dor é suportável tudo vale a pena.

Quando não... anestesia.

terça-feira, setembro 13, 2016

Engole

Em que momento deixamos de apreciar  o sabor e passamos a apenas engolir?

Em que momento passamos da frente pra trás?

Em que momento voltamos  atrás?

sexta-feira, agosto 26, 2016

Cálice (Chico Buarque, Gilberto Gil)

Como beber dessa bebida amarga
Tragar a dor, engolir a labuta
Mesmo calada a boca, resta o peito
Silêncio na cidade não se escuta
De que me vale ser filho da santa
Melhor seria ser filho da outra
Outra realidade menos morta
Tanta mentira, tanta força bruta

Pai, afasta de mim esse cálice
De vinho tinto de sangue

Como é difícil acordar calado
Se na calada da noite eu me dano
Quero lançar um grito desumano
Que é uma maneira de ser escutado
Esse silêncio todo me atordoa
Atordoado eu permaneço atento
Na arquibancada pra a qualquer momento
Ver emergir o monstro da lagoa

Pai, afasta de mim esse cálice
De vinho tinto de sangue

De muito gorda a porca já não anda
De muito usada a faca já não corta
Como é difícil, pai, abrir a porta
Essa palavra presa na garganta
Esse pileque homérico no mundo
De que adianta ter boa vontade
Mesmo calado o peito, resta a cuca
Dos bêbados do centro da cidade


Pai, afasta de mim esse cálice
De vinho tinto de sangue

Talvez o mundo não seja pequeno
Nem seja a vida um fato consumado
Quero inventar o meu próprio pecado
Quero morrer do meu próprio veneno
Quero perder de vez tua cabeça
Minha cabeça perder teu juízo
Quero cheirar fumaça de óleo diesel
Me embriagar até que alguém me esqueça

quinta-feira, janeiro 07, 2016

No escrita sou EU, na leitura sou VOCÊ (Augusto de Lanóia)


Para os loucos, sou careta
Para os caretas, completamente louco
Para os ricos, sem presença
Para os desafortunados, quase um patrão
Para os belos, sou comum
Para os comuns, sou estilo
Para os agressivos, sou calmo
Para os pacientes, um pavio curto
Para os gordos, sou esbelto
Para os finos, quase obeso
Para os ansiosos, sou "uma lady"
Para os calmos, agressivo
Para os gays, sou hetero
Para os machões, um fresco.
Para os gerentes de projeto, sou "agile"
Para os agilistas, sou burocrata...
Para a turma do business, sou o técnico
Para os técnicos, sou business
Para os de direita, sou um comunista sanguinário
Para os de esquerda, um porco chauvinista
Para os "junk fooders", sou um exemplo de nutrição
Para os "healthy guys" sou um "bacon "
Para os abstêmios, sou um bêbado nato
Para os beberrões, sou um "healthy guy"
Para os músicos, sou um aprendiz
Para os iniciantes, qualquer coisa
Para os religiosos, sou um ateu
Para os ateus, sou macumbeiro
Para os políticos, sou oposição
Para os politizados, um vendido
Para os inteligentes, sou mediano
Para os que se acham, uma ameaça
Para a perdiz, sou o caçador
Para o mato, sou o barulho
ou seja:
PARA A NUVEM SOU CHUVA
PARA A CHUVA, SOU TRANSPORTE
PARA A VIDA, SOU SEM MOTIVO
PARA A MORTE, SOU UMA CERTEZA!

terça-feira, maio 19, 2015

#LU10 (Augusto de Lanóia)

Era um caminho amassado de visões, um tanto quanto empoeirado de paixões.
Defeituoso e arredio,
Percorrido e desmembrado por questões repetitivas.

E eis que então surge um clarão ao final do arbusto, escondido atrás da flor.

E que aos poucos torna fogo, queimando brasa ao seu redor.
Onde o vento foi derretendo, e as folhagens... se executando,
Onde a tristeza foi se apagando e as angústias, dilacerando.

E no monte o todo se iluminou, com a sua lava no "living room"
Muitos fugiram, muitos temeram... poucos ficaram.

Mas no fim, era apenas uma tocha acesa
Tão intensa e tão brilhante que ofuscava até a razão!
Provocando o seu encanto de desafiante a todo amor que virou cinza

E ela segue acesa... e que assim seja!

Que brilhe sempre em seu ardor por liberdade.
Sem secar seus sonhos e sem temer os riscos da incerteza

É uma tocha de sabores intensos e SUSURROS SELVAGENS,
Que acolherá pedras sobre sí jogadas.